— Clarissa Corrêa
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
“Acho tão bonito casais que duram. Não importa o tempo, o que vale é a intensidade. Querer estar junto vale muito mais do que estar junto há 20 e tantos anos só por comodidade. Sei que estou falando obviedades, mas hoje vi um casal de velhinhos na rua. Acho que o amor, quando é amor, tem lá suas dores bonitas. A gente vê uma cena e o coração fica emocionado. Nos dias de hoje, com tanta tecnologia, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no próprio umbigo e nos próprios problemas, com tanta disputa pelo poder, pelo dinheiro, por ter mais e mais, sei lá, acho bonito ver um casal de velhinhos na rua. A mão, enrugadinha, segura a outra mão. A outra mão, por sua vez, segura uma bengala. Falta equilíbrio, sobra experiência. Falta a juventude, sobra história para contar. Falta uma pele lisa, sobram marcas de expressão que contam segredos. Envelhecer não é feio. Em tempos de botox, a gente devia olhar um pouco para dentro. De si. Do outro. Do amor.”
Mas que mal tem? Eles são apenas amigos.
Ele a liga.
— Loira?
— Oi moreno.
— Tá em casa?
— Não, tô na festa. — Ela ri.
— Porra, eu falei que ia pra sua casa hoje.
— Eu sei idiota, eu tô em casa.
— Cara, só te socando a cara.
Ela ri. — Para de reclamar, tá aonde?
— Saindo de casa.
— Mano, vem logo.
— Daqui duas horas tô ai, loira. Não sou teu vizinho, moro longe.
Ela desliga sem dar tchau, para ela, duas horas eram pouco para se arrumar. Ela corre para o banho, mesmo sendo apenas seu amigo, ele mexia com ela. Ele liga para ela umas cinco vezes e ela não atende. Ele fica preocupado, continua a ligar e ela atende.
— Tá aonde?
— Você que me responde, tá aonde? Te liguei umas mil vezes, mano.
— Tava no banho, idiota.
— Já tô chegando, desce.
Ela desliga, desce e o espera. Como de costume, ele já trazia um filme, idiota por sinal, mas um filme que ela gostava. Ele preferia o de ação, mas levou o de romance. Mas tudo se encaixava quando ele lembrava da ideia de assistir com ela. Ele chega, a beija no rosto, a manda carregar sua mochila e pegam o elevador. Ele como já era de casa, liga a televisão, enquanto ela pegava os travesseiros e um único cobertor. Ele abre o armário da cozinha, pega a pipoca, coloca no microondas e vai até o banheiro pra se ver no espelho. Ela pega dois pares de meia, um de sapinho e outra de princesa e vai em direção á sala. Ele a encontra no caminho e a beija no pescoço.
— Me assustou.
Ele sorri. — A pipoca já tá pronta.
— Toma sua meia.
— Vai querer suco?
— Peguei cinco travesseiros, quer mais?
— Não tem chocolate não?
— Embaixo das barrinhas de cereais.
— Ótimo esconderijo.
— Já te dei a meia?
— Já, loira. Cadê o pote de colocar pipoca?
Ela o olha. — Desde quando não sabe onde fica?
— Desde que a sua empregada muda de lugar as coisas.
— Trouxe que filme?
— Sei lá, peguei qualquer um.
— Não sabe o nome?
— Não, mas é de romance loira.
Ela sorri. — Vem logo então, chatinho.
Ele vai até a sala, deita ao lado dela no chão, se enrola no cobertor, a puxa para mais perto, aperta play e fica em silêncio. Eles ficam em silêncio por alguns minutos, o filme já havia começado. Ele a olha e sorri.
— Que foi?
— Nada, loira.
— Tava com saudade.
— Eu também.
— Agora quietinho, vai começar.
— Mas já começou.
— Fica quieto.
Ele ri, fica em silêncio. Mais tarde, ela o olha.
— Não tô conseguindo ver o filme.
Ele sorri. — Viu? Por isso não me importo de escolher o filme, eu sei que não vou ver. Vem cá, loira. — Ele a puxa, a posiciona sentada em cima de suas pernas e a beija.
— Mas e o filme?
— Deixa pra depois, loira.
Ele a liga.
— Loira?
— Oi moreno.
— Tá em casa?
— Não, tô na festa. — Ela ri.
— Porra, eu falei que ia pra sua casa hoje.
— Eu sei idiota, eu tô em casa.
— Cara, só te socando a cara.
Ela ri. — Para de reclamar, tá aonde?
— Saindo de casa.
— Mano, vem logo.
— Daqui duas horas tô ai, loira. Não sou teu vizinho, moro longe.
Ela desliga sem dar tchau, para ela, duas horas eram pouco para se arrumar. Ela corre para o banho, mesmo sendo apenas seu amigo, ele mexia com ela. Ele liga para ela umas cinco vezes e ela não atende. Ele fica preocupado, continua a ligar e ela atende.
— Tá aonde?
— Você que me responde, tá aonde? Te liguei umas mil vezes, mano.
— Tava no banho, idiota.
— Já tô chegando, desce.
Ela desliga, desce e o espera. Como de costume, ele já trazia um filme, idiota por sinal, mas um filme que ela gostava. Ele preferia o de ação, mas levou o de romance. Mas tudo se encaixava quando ele lembrava da ideia de assistir com ela. Ele chega, a beija no rosto, a manda carregar sua mochila e pegam o elevador. Ele como já era de casa, liga a televisão, enquanto ela pegava os travesseiros e um único cobertor. Ele abre o armário da cozinha, pega a pipoca, coloca no microondas e vai até o banheiro pra se ver no espelho. Ela pega dois pares de meia, um de sapinho e outra de princesa e vai em direção á sala. Ele a encontra no caminho e a beija no pescoço.
— Me assustou.
Ele sorri. — A pipoca já tá pronta.
— Toma sua meia.
— Vai querer suco?
— Peguei cinco travesseiros, quer mais?
— Não tem chocolate não?
— Embaixo das barrinhas de cereais.
— Ótimo esconderijo.
— Já te dei a meia?
— Já, loira. Cadê o pote de colocar pipoca?
Ela o olha. — Desde quando não sabe onde fica?
— Desde que a sua empregada muda de lugar as coisas.
— Trouxe que filme?
— Sei lá, peguei qualquer um.
— Não sabe o nome?
— Não, mas é de romance loira.
Ela sorri. — Vem logo então, chatinho.
Ele vai até a sala, deita ao lado dela no chão, se enrola no cobertor, a puxa para mais perto, aperta play e fica em silêncio. Eles ficam em silêncio por alguns minutos, o filme já havia começado. Ele a olha e sorri.
— Que foi?
— Nada, loira.
— Tava com saudade.
— Eu também.
— Agora quietinho, vai começar.
— Mas já começou.
— Fica quieto.
Ele ri, fica em silêncio. Mais tarde, ela o olha.
— Não tô conseguindo ver o filme.
Ele sorri. — Viu? Por isso não me importo de escolher o filme, eu sei que não vou ver. Vem cá, loira. — Ele a puxa, a posiciona sentada em cima de suas pernas e a beija.
— Mas e o filme?
— Deixa pra depois, loira.
“Olha Zé, eu tentei. Não digas que não tentei. Eu liguei e ele não atendeu, eu mandei mensagens e ele não respondeu. Eu tentei de um tudo, mas falhei. Eu orei por ele, Zé. Eu sonhei também. Eu contei nos dedos para falar com ele. Eu me entreguei ao todo Zé. Mas ele não me ama. Ele quer outra, e eu com ciúmes o mandei ser feliz […] O problema Zé, é que ele foi mesmo. Hoje é feliz, porém longe de mim.”
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
“Foi amor, é amor e sempre vai ser, eu só queria te dizer isso. Sem essa de chá, café ou cafuné. Sempre foi amor e não importa que acabou. Acabou o relacionamento, não o sentimento. É que essas coisas acontece, lamentavelmente o para sempre, sempre acaba. E talvez sabendo que seríamos o tão esperado “e viveram felizes para sempre” dos contos de fadas, o destino passou uma rasteira em nós e em tudo que éramos. Talvez a vida teve medo que nós dessemos mais esperanças ainda a casais e crianças que como nós acreditávamos em eternidade. Daqui alguns anos, podemos nos encontrar em uma cafeteria, aquela nossa cafeteria preferida, que costumávamos ir nas sextas, pedir a mesma coisa e ficar relembrando das horas incontáveis que nos amamos e das infinitas gargalhadas que demos naquele sofá verde musgo que era da sua avó em um domingo de puro tédio. Também vamos rir das vezes em que de vez em sempre eu pisava no seu pé ao dançarmos algo que seria “dois pra lá e dois pra cá”. E também relembraríamos dos sonhos e esperanças que foram frustradas com um fim e também sorriríamos ao lembrar que fizemos algo que deu certo, como o brigadeiro que não queimou ou o nosso amor que foi sempre tão verdadeiro. Nós éramos o casal que qualquer um sentiria inveja, e talvez a vida também sentiu inveja, medo.. porque ela também nunca teve algo ou alguém que durasse uma eternidade. Talvez daqui a algum tempo, uns dez anos, quando você encontrar outra pessoa e estiver feliz, os nossos olhares se encontrem e haja o mesmo brilho intenso que sempre houve, nos lembrando que fomos feitos um pro outro, mesmo com todas as controvérsias do destino e os nossos sorrisos vão brotar, nossos lábios vão se chamar, as borboletas percorreram pelo corpo todo, fazendo com que as artérias trabalhem bombeando o sangue cada vez mais rápido pelo corpo, os pelos vão eriçar e o coração vai acelerar. E quando isso acontecer, eu quero lhe dizer que o que foi nosso nunca vai sair de moda. Sua voz, seu sorriso, jeito e toque nunca serão esquecidos e seu nome por mim nunca passará despercebido.”
E ficamos nessa de vai e não volta, nessa indecisão de uma certeza, na negação de uma vontade. Eu te amo e você me ama, mas o nosso amor não é o suficiente para nos unir. Precisamos de algo que ainda não temos, e talvez nunca venhamos a ter. Preciso ser minha antes de ser sua, e você precisa ser seu antes de ser meu. Mas você é da menina que mora na rua atrás da sua casa, e eu sou do cara que conheci em uma balada qualquer da vida. Somos tão diferentes, mas tão completos quando estamos um ao lado do outro. Poderíamos ser tão felizes, poderíamos ser tão amor… Mas simplesmente hoje somos apenas distantes.
Tati Bernardi.
Tati Bernardi.
“Eu entendo que você não queria mais ficar. Entendo mesmo. Como você disse, um dias as rotas mudam, e os planos também. Um dia o sol brilha diferente, e se a gente não mudar com ele, ao invés de aquecer ele vai queimar. Eu só não queria. De todas as despedidas, e desapegos, e partidas, vai por mim, a sua vai ser a mais doída. Mas eu acostumo, fica tranquila. Eu mesmo me abraço quando estiver em um
dia ruim. Isso não é novidade pra mim. Mas agora… Não me entenda grosseiro, mas acho que já deve partir. Se tem que ir vá logo, não fica tentando se explicar ou arrumar desculpas, porque isso só abre a ferida. Vai, e não olha pra trás. Aqui, ou ali, aonde eu estiver, eu vou saber que você fez o inverso de mim. Você fez o que a vida inteira eu não tive coragem de fazer; você foi ser feliz, ao invés de esperar a felicidade te encontrar.”
"Os filhos querem colo... sempre!
Na sexta feira, 12 de maio de 2011, uma amiga do meu filho pulou do 8º andar do prédio onde morava na Rua Emiliano Perneta. Era uma adolescente. Tinha acabado de almoçar, estava com o uniforme do Colégio Bom Jesus, e a mochila nas costas, o que indicava que iria para o colégio à tarde, pois nas quartas e sextas eles têm aula o dia todo. Foi um choque para todos os colegas! Aí vem a pergunta: Por quê? Ela tinha apenas 15 anos. Que problemas uma menina de 15 anos pode ter? Fiz esta pergunta ao meu filho, e a resposta me deixou chocada... Ele me disse: - Mãe, eu acho que era falta de colo. Questionei:- Como assim? E ele me disse: - Hoje em dia, os pais trabalham praticamente o dia todo, sempre com a mesma desculpa de que querem dar aos filhos tudo aquilo que nunca tiveram e, na maioria das vezes, eles estão conseguindo. Eles estão dando um estudo no melhor colégio, cursos de idiomas, dinheiro para gastar no shopping, um computador de última geração pro filho ficar enfiado em casa durante o pouco tempo livre que sobra, roupas, tênis, celular, tudo muito caro, etc... E sempre cobrando da gente boas notas, pois estão investindo muito... Na maioria das vezes, os pais não têm mais tempo para os filhos, não conversam mais, não fazem um carinho... Ele fez uma pausa. Eu estava boquiaberta com o que ele acabara de falar-me e meus pensamentos foram a mil. Mal comecei uma frase: - Meu filho, você tem razão. É isso mesmo... E ele me interrompeu dizendo: Mãe, quando a gente chega em casa, o que mais a gente quer é o colo da mãe. Quando vai mal nas provas ou quando acontece alguma coisa ruim, a gente quer colo. Por que você acha que hoje tantos jovens são quase revoltados? Na maioria das vezes, eles estão querendo chamar a atenção, ser notados... Só que no lugar errado e de forma errada: na rua e com violência. - Dei um grande abraço em meu filho, beijei-o com muito carinho. E lhe disse: Meu filho espero que a morte da Joana não tenha sido em vão, pois quem sabe desta forma muitos pais vão repensar suas atitudes para com seus filhos! Ele olhou-me carinhosamente e concluiu, antes de sair para a escola: Não somos máquinas, mãe. Não somos todos iguais. Não é porque o filho da vizinha tira só dez que todos nós vamos tirar 10. Talvez, nem todos nós queiramos falar inglês! Seus olhos cheios de lágrimas revelavam a dor que sentia pela morte da colega e, ao mesmo tempo, o quanto meu filho valorizava a nossa família. Já fora de casa, ele voltou correndo e me deu um forte abraço e me disse: - Mãe, obrigado por eu poder contar sempre com você nos maus momentos... E, obrigado, também, pelas broncas, pois sei que as mereço. Depois que ele virou a esquina, fechei suavemente a porta, pensativa e convencida de que o tempo e o amor são os melhores investimentos que podemos fazer pelos nossos filhos. O resto é conseqüência. Nada é mais importante que estes meios essenciais para a felicidade de nossos filhos. E, sem dúvida, só assim poderemos também ser felizes com a consciência tranqüila de ter cumprido bem a nossa missão de pais.
Na sexta feira, 12 de maio de 2011, uma amiga do meu filho pulou do 8º andar do prédio onde morava na Rua Emiliano Perneta. Era uma adolescente. Tinha acabado de almoçar, estava com o uniforme do Colégio Bom Jesus, e a mochila nas costas, o que indicava que iria para o colégio à tarde, pois nas quartas e sextas eles têm aula o dia todo. Foi um choque para todos os colegas! Aí vem a pergunta: Por quê? Ela tinha apenas 15 anos. Que problemas uma menina de 15 anos pode ter? Fiz esta pergunta ao meu filho, e a resposta me deixou chocada... Ele me disse: - Mãe, eu acho que era falta de colo. Questionei:- Como assim? E ele me disse: - Hoje em dia, os pais trabalham praticamente o dia todo, sempre com a mesma desculpa de que querem dar aos filhos tudo aquilo que nunca tiveram e, na maioria das vezes, eles estão conseguindo. Eles estão dando um estudo no melhor colégio, cursos de idiomas, dinheiro para gastar no shopping, um computador de última geração pro filho ficar enfiado em casa durante o pouco tempo livre que sobra, roupas, tênis, celular, tudo muito caro, etc... E sempre cobrando da gente boas notas, pois estão investindo muito... Na maioria das vezes, os pais não têm mais tempo para os filhos, não conversam mais, não fazem um carinho... Ele fez uma pausa. Eu estava boquiaberta com o que ele acabara de falar-me e meus pensamentos foram a mil. Mal comecei uma frase: - Meu filho, você tem razão. É isso mesmo... E ele me interrompeu dizendo: Mãe, quando a gente chega em casa, o que mais a gente quer é o colo da mãe. Quando vai mal nas provas ou quando acontece alguma coisa ruim, a gente quer colo. Por que você acha que hoje tantos jovens são quase revoltados? Na maioria das vezes, eles estão querendo chamar a atenção, ser notados... Só que no lugar errado e de forma errada: na rua e com violência. - Dei um grande abraço em meu filho, beijei-o com muito carinho. E lhe disse: Meu filho espero que a morte da Joana não tenha sido em vão, pois quem sabe desta forma muitos pais vão repensar suas atitudes para com seus filhos! Ele olhou-me carinhosamente e concluiu, antes de sair para a escola: Não somos máquinas, mãe. Não somos todos iguais. Não é porque o filho da vizinha tira só dez que todos nós vamos tirar 10. Talvez, nem todos nós queiramos falar inglês! Seus olhos cheios de lágrimas revelavam a dor que sentia pela morte da colega e, ao mesmo tempo, o quanto meu filho valorizava a nossa família. Já fora de casa, ele voltou correndo e me deu um forte abraço e me disse: - Mãe, obrigado por eu poder contar sempre com você nos maus momentos... E, obrigado, também, pelas broncas, pois sei que as mereço. Depois que ele virou a esquina, fechei suavemente a porta, pensativa e convencida de que o tempo e o amor são os melhores investimentos que podemos fazer pelos nossos filhos. O resto é conseqüência. Nada é mais importante que estes meios essenciais para a felicidade de nossos filhos. E, sem dúvida, só assim poderemos também ser felizes com a consciência tranqüila de ter cumprido bem a nossa missão de pais.
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