Páginas

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar
 nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: Duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: Anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém...

John Lennon
Sinceramente? Sou, assumidamente, fã dos cachorros convictos. Isso mesmo, do cara que te diz que não quer se envolver, com todas as letras. Que gosta de você, da noite, das bebidas, das biscats e não esconde isso, pelo contrário. Não, quando eu gosto mesmo de alguém, não sou do tipo desapegada por natureza e me dá nos nervos aturar esse tipinho de vida, quase sempre. Também passo longe de fazer a linha não-ciumenta, let it be. Gosto de romance, mimimi, cinema, clichês, pronomes possessivos. Mas é que entre todas as coisas que eu gosto, tem uma que eu não abro mão: Sinceridade. E, por isso, prefiro um filho da puta sincero do que um príncipe de mentirinha. Prefiro poder ficar em paz e saber que tudo que ele diz provavelmente é verdade mesmo, porque dificilmente são coisas bonitas e, quando são, tem muito valor, porque são raras e não complemento do "Bom dia". Não tô com um santo, mas sei todos os pecados pela boca dele, sem disse-me-disse, sem ter que pagar de detetive. Acho que é um tanto quanto tranquilizador você saber exatamente o tipo de pessoa que tem do lado, entende? Não tenho paciência ou conformismo pra aguentar o cara perfeito, falando coisas perfeitas, fazendo juras de filme, com promessa de filhos correndo pela casa e um cachorro no quintal. Eu ia surtar todos os dias, tentando descobrir quem é ele longe de mim, porque ele é homem e tudo isso tá muito errado. Não ia conseguir achar lindo, morrer de amores e ponto, topar ser resgatada da torre, com um sorriso de canto a canto. Tipo de gente e de história que não me convence: "Encantada". Acredito em fidelidade, acredito e espero. Felicidade a dois, cumplicidade e todas essas coisas. Mas somos todos vacilantes e ninguém aqui é personagem de um filme de romance, então vamos nos poupar. Vou te contar, eu amo flores. Mas amo muito mais a verdade.

Marcella Fernanda
“Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.”
Sabe o porquê o amor é cego? Porque a gente não ama cabelo, não ama a roupa, não ama o corpo, não ama a cor dos olhos, e enfim, não amamos o físico. A gente ama o sentimento, a atenção, o carinho e isso não se vê, se sente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ele não ligava, nem mandava mensagem durante semanas. Mas tinha uma mania sacana de aparecer quando ele já tava quase desaparecendo da minha cabeça. Era carência, tava na cara – e faltava vergonha na minha, porque eu sempre acabava cedendo. Não me dava valor e ainda ficava indignada por ele não dar também. Eu aceitava ser a última opção e ainda tinha a cara de pau de espernear e choramingar por ai usando a maldita frasezinha clichê de que nenhum homem presta. Claro que ele não ia prestar, pra que prestar com alguém que transpirava falta de amor próprio? Ninguém ama quem não se ama, ninguém respeita quem não se respeita – doloroso, mas verdadeiro. E quando você não tá na onda de ser amada, ta tranquilo - um supre a carência com o outro e fim de papo. Mas eu tava afim de sentimento, tava super na onda de mãozinha dada e ligação de madrugada só pra ouvir um ”tava pensando em você”. E claro que ele não ligava, a gente quase sempre só pensa antes de dormir em quem causa aquele nervosinho de incerteza dentro do nosso peito – e eu tava sempre ali, um poço de certezas, não tinha porque ele pensar. Muito menos ligar. E foi ai que eu mudei. Parei de aceitar o último pedaço do bolo, se o primeiro pedaço não fosse pra mim, eu simplesmente ia embora da festa – não me servia mais. E olha só que mágico, ele nunca me chamou pra tantas festas e nunca vi alguém me oferecer tantos pedaços de bolo – a mágica só não foi tão boa porque eu simplesmente não queria mais. Não queria mais mágica, não queria mais bolo, não queria mais ele. Quando a gente passa a se valorizar a gente consegue enxergar nitidamente quanto os outros valem – e ele valia tão pouco, desencantei. Peguei meu coração e coloquei ele lá no topo de uma árvorezinha danada de alta, e vou te falar, nunca vi tanta gente disposta a escalar – homem adora um desafio. Pois bem, que vença o melhor!
Não se importe, não se apegue, não ligue, não procure, não fique em cima, não seja disponível… E verá como tudo se torna mais fácil.
Quer um conselho garota? Desista dele. A gente cresceu com essa ideia que desistir é para os fracos, mas não. Tem que ser muito forte para desistir de quem se ama, até porque amor é o tipo de sentimento que tem que ser recíproco.