quinta-feira, 4 de setembro de 2014
“É que as vezes, só as vezes, damos a sorte de encontrar alguém. E é esse tal alguém que lhe faz e refaz, te inventa e reinventa, não te muda só acrescenta. Um alguém capaz de lhe transformar e não mudar, que lhe mostre o real sentido das coisas e que lhe dê uma razão pra sorrir todos os dias, ou que seja a razão de você sorrir todos os dias. Alguém que seja sempre seu, e você sempre dela; Esse mesmo alguém que você procurou, e por um acaso encontrou, e sem querer querendo. Feliz pra sempre, ficou.”
“E eu estou chorando agora, mas principalmente de raiva por a gente ter que mendigar carinho pra se sentir uma boa pessoa. Se ninguém nos telefona, se ninguém vem à nossa casa, se ninguém aceita o nosso jeito, parece que a gente não existe, parece que as coisas deram errado, e não deram. Sou uma pessoa bacana, forte, generosa, não deveria precisar que ninguém me aplaudisse, mas a gente precisa dos outros, precisa que eles demonstrem que nos admiram, mesmo que estejam fingindo.”
— Martha Medeiros.
— Martha Medeiros.
“Não dói mais. Agora me dói não doer. A ferida aberta era uma forma de te sentir ainda comigo, mesmo sendo da pior forma possível. Eu sempre quis que essa dor cessasse, mas tinha medo da cura. Sabia que seria inevitável impedir que esse dia chegasse. Chegou. E, com isso, você se foi definitivamente. O que te manteve cravado em minha pele se esvaiu. Minha única memória fixa perdeu as formas, os gostos, os cheiros, as lembranças, o toque. Acabou, passou, não dói mais. A ferida se fechou e agora só me resta a cicatriz que, mesmo sendo uma forma de lembrar você, já não dói. É só uma prova de que um dia já senti. Mas, quem garante? A dor quando passa parece que nunca existiu; os amores esquecidos parecem que jamais foram vividos. A cicatriz é indolor. Não te sinto mais comigo.”
Você não sabia amar. Era delicada, linda, mas, no fundo, achava que o amor era somente beijos na porta de casa e mensagens lindas seguidas de reticências que pediam eternidade de resposta. Mas, não seríamos eternos se só nos disséssemos amar. A eternidade pedia mais que amores, pedia respeito e concessões, coisa que não nos faltava quando nos colocávamos no colo dos nossos sonhos.
“Pouca comida é miséria, comer pouco é educação. Feiura no rosto é apenas feio, feiura na tela é irreverência. Lixo é repugnante, lixo moldado é reciclagem. Mulher nua na rua é prostituta, mulher nua na rua segurando um cartaz é protesto. Velho com vitrola é atrasado, jovem com vinil é estilo. Pobre artista é pichador, rico com tinta é gênio. Baile funk é perda de tempo, balada eletrônica é diversão. Ir sem roupa ao shopping é atentado violento ao pudor, ir sem roupa à praia é naturalismo. Milionário usando chinelas é humilde, humilde com chinela é milionário. Cachorro com coleira é fofo, cachorro sem coleira é vira-lata. Sirene em bairro rico é ambulância, sirene em favela é polícia. Estrondo em dia de jogo são fogos de artifício, estrondo em dia de jogo dentro da comunidade são traficantes. Aluno que cola é esperto, aluno que estuda é otário. Mentira dita muitas vezes é verdade, verdade nunca dita é mentira. Solidão aos dezesseis é drama, solidão aos sessenta é necessidade. Cabelo enrolado é cabelo ruim, cabelo liso com babyliss é sexy. Palmada em filho é disciplina, palmada em aluno é caso de notícia. Modelo gorda é inaceitável, modelo magra é pleonasmo. Macaco é racismo, branquelo é apelido. Seios na televisão é apelação, seios na televisão em fevereiro é carnaval. Foto do pé é cafona, foto do pé com efeito de instagram é vintage. Criança magra é desnutrida, criança obesa é descuido. Menino com amigas é gay, meninas com amigos é oferecida. Homem com várias é inspiração, mulher com vários é mal falada. Adotar um bebê é amor, adotar um adolescente é caridade. Palavrão na rua é baixaria, palavrão na música é alternativo. Verde e amarelo é cafonice, torcer pra seleção é patriotismo. Beijar é bom, beijar dois na mesma festa é segredo, beijar outro é traição, beijar ninguém é ser encalhado. Andar de mãos dadas é fofo, andar da mãos dadas com alguém do mesmo sexo é pouca vergonha. Reclamar do governo é legal, fechar a TV no horário político é rotina. Mandar cartas é velharia, receber cartas é romantismo. Não ter filhos é lamentável, optar por não ter filhos é estilo de vida. Xingamento na cama é ousadia, xingamento na mesa é barraco. Criança loira, bem vestida e sozinha está perdida, criança negra, suja e sozinha é assaltante. A fome é um problema mundial, a fome do outro não é problema meu. Bonita e difícil é atraente, bonita e fácil é vagabunda, feia e difícil é burra, feia e fácil é descartável. Bater em mulher é machismo, mulher bater em homem é engraçado. Católico assassino é banalidade, protestante assassino é hipocrisia. Passear no campo é liberdade, morar no campo é falta de dinheiro. Óculos espelhado é horrível, óculos espelhado de marca é moda. Livro de cinquenta reais é caro, uísque de cinquenta reais é festa. Matar um cachorro é desumano, matar um boi é churrasco. Um assassinato é fatalidade, três mil é estatística. Ser ou não ser é Shakespeare, indecisão é defeito. Acreditar no amor é beleza, acreditar em alienígenas é ilusão. Grito na música é rock’n’roll, grito sem ritmo é falta de argumentos. Loucos só passaram a existir quando a normalidade foi inventada, diferenças só não foram aceitas quando alguém tentou ser diferente. Conceitos não mudam realidades, mas realidades mudam conceitos. Pessoas não são palavras, mas palavras formam pessoas. Se é certo que somos produtos do meio, é certo também que somos somente produtos. Indivíduos são matérias-primas em abundância, mas individualidade é artigo de luxo. Rótulo na embalagem é essencial, rótulo em tudo é apenas uma sociedade.”
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
"Se ele sentir sua falta, ele vai ligar. Se ele se importa com você, ele vai demonstrar. Não precisa cobrar. Se ele quer, ele faz. Se ele não faz, não ache que o problema é você. Apenas pare de gastar seu tempo com ele, porque ele com certeza não pretende gastar o tempo dele com você.”
— Tati Bernardi.
— Tati Bernardi.
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